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Visualização | Notícia SENAR-TO
26/10/2009 08:53:52
CNA em Campo - “Censo do IBGE abrange produtores do agronegócio”

Julliana Ribeiro

Realizadora e também uma das palestrantes do programa CNA em Campo, Kátia Abreu falou ao Jornal do Tocantins sobre o projeto, sobre a pesquisa encomendada ao Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) acerca da produtividade dos assentamentos da reforma agrária e, ainda, da relação entre agronegócio e agricultura familiar.

O que vem a ser o programa CNA em Campo?

Se não me engano, esse programa já engloba 14 Estados da federação e continuamos trabalhando para chegar a outros. Nele discutimos as problemáticas do setor, sempre abordando estudos e pesquisas que contribuam para o êxito do produtor rural nas suas atividades. Além disso, na ocasião aproveitamos para visitar Prefeituras, dentre outros órgãos, a fim de aproximar as causas do campo de toda a sociedade.

Por ocasião do lançamento da pesquisa que a CNA encomendou ao Ibope sobre a situação dos assentamentos da reforma agrária, foi dito que eles não produzem nem para a subsistência. Esse quadro se repete no Tocantins?

Sim, já que a pesquisa foi feita em todo o Brasil.

O Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou uma agricultura familiar mais produtiva que o agronegócio. Existe um contra-senso aí?

Não, porque a pesquisa realizada pelo IBGE é conceitual e abrange produtores que trabalham em até quatro módulos e isso inclui também a agricultura comercial, o agronegócio, que é uma produção que envolve alta tecnologia. E isso não pode representar produtores que têm apenas um módulo, por exemplo. A nossa preocupação são esses produtores que, como mostrou a pesquisa, não produzem nem para subsistência. Os assentados da reforma agrária são, na verdade, vítimas de um programa oco. De um programa que prevê apenas a doação de terras e o abandono dessas pessoas. E doação de terras nunca foi sinônimo de renda, porque junto com a terra têm que vir as políticas públicas, no sentido de dar sustentação a essas pessoas. Isso inclui tecnologia, crédito, transporte, estrada, qualificação, entre outras coisas.

A senhora acredita que a agricultura familiar e o agronegócio estão em campos opostos?

De forma alguma. Acredito que seja exatamente ao contrário. Nós temos médias propriedades no País que também têm excluídos, pessoas que estão na miséria. O importante é que as pessoas possam ser buscadas e tentar de alguma forma inseri-las no desenvolvimento, na qualidade de vida.

Como a agricultura familiar pode se beneficiar das novas tecnologias que o agronegócio implanta no campo?

A agricultura familiar já tem muito acesso a tecnologias. Como eu já havia comentado, nesse segmento temos produtores com até quatro módulos de terra, muitos deles no Sul do Brasil, onde temos produção de alta qualidade e trabalhando com tecnologias.

Quais os gargalos do agronegócio no Tocantins?

Os problemas do agronegócio no Tocantins não são diferentes do resto do Brasil. Infelizmente, nesse sentido, nós temos um padrão nacional de problemas, podemos assim dizer. O que ainda precisa, especificamente no nosso Estado, seria a hidrovia do Rio Tocantins, que ela não fosse empatada pelas hidrelétricas de Lajeado e de Estreito, esta última em construção. Essa hidrovia iria baratear muito o transporte e dar mais competitividade aos produtos do Tocantins, o que aumentaria as possibilidades de investimentos externos.

A crise política no Estado gerou prejuízos para o setor do agronegócio?

Com certeza uma crise como essa gera impactos para a sociedade. Tudo isso tem gerado desconfiança e atrasos. Então, realmente o Tocantins não está em um bom momento, a ponto de gerar confiança ao investidor.

Fonte: Jornal do Tocantins

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